quinta-feira, 23 de março de 2017

Para um trabalho que vem desenvolvendo sobre Teatro, Isabela Lisboa me fez algumas perguntas sobre "Isso Não É Um Sacrifício", texto de Fernando Bonassi, que estreio no dia 27 de Março de 2017 no SESC Ipiranga. Achei muito legal sua abordagem. Reproduzo aqui: 

- Como foi o processo de montagem deste que é seu primeiro monólogo?
Esse tema (o apedrejamento) é presente no nosso dia a dia, isso não é bom, mas é verdade. Esteticamente há uma ligação com a imagem da mulher enterrada à espera da execução, portanto pesquisamos imagens desse tipo de tortura. Na encenação a Christiane Tricerri (diretora) optou por usar um conceito italiano de "teatro concerto", onde a voz, os sons dos instrumentos e o desenho de som dentro do palco narram a história junto com o texto. Essa massa sonora tem sido trabalhada nos ensaios. Quanto a mim, procuro com a direção uma verossimilhança que me coloque naquela situação, mas que ao mesmo tempo mostre o quanto essa tortura cruel é patética. 

- Você já havia trabalhado com Christiane Tricerri, correto? Como foi esse reencontro?
Sim, em minha primeira peça profissional. Conheci a Chris quando eu ainda estava na EAD. Eu participava de uma peça com direção do Roberto Lage e ela foi assistir. Entrou no camarim no final do espetáculo e disse que eu  tinha que estar no Teatro do Ornitorrinco. Como eles preparavam uma nova produção ela me levou para fazer um teste com o Cacá Rosset e fui aprovada. Fiz a Luciana, personagem d´A Comédia dos Erros, de Shakespeare. Eu e a Chris éramos irmãs em cena. Então não trabalhamos mais juntas. Depois de vinte anos ela me mostrou esse texto do Fernando Bonassi e disse que queria me dirigir nesse papel. Gostei muito do convite e do reencontro. Trabalhar com a Chris tem me aberto várias possibilidades como criadora.  Gosto muito da concepção que ela teve para levar o texto à cena. Sem contar que voltamos a conviver, o que é excelente. 

- E com Bonassi? Qual é o histórico dessa parceria?
É uma parceria prometida, ahaha. Ainda vou escrever um roteiro com ele. Mas nunca tinha feito nada dele. Apenas li os livros e vi filmes que ele roteirizou. Ele tinha uma coluna na Folha de São Paulo que eu recortava e guardava. Outro dia achei os papéis. Eram pequenos contos policiais, estranhos e cotidianos. Eu adorava aquilo. Esse texto que eu faço ele escreveu há uns quatro anos. Infelizmente é atual e parece que será por um bom tempo. 

- No Evangelho segundo João, uma mulher é levada por escribas e fariseus até Jesus Cristo e seus discípulos para ser julgada por adultério. Qual é a relação dessa figura bíblica com a sua personagem em “Isso Não É Um Sacrifício”? Que tipo de delito ela cometeu? Quem são seus algozes? Sob quais leis ela é julgada?
A relação não é direta. Mas você pode fazer, se quiser. Porque aqui se fala de julgamento, condenação, eliminação, farsa, mentira, hipocrisia, enfim... Temas AC e DC. Você é uma  mulher, portanto vou te responder que minha personagem cometeu o mesmo delito que você comete todos os dias: ser mulher. Seus algozes são as mentiras absolutas, que tomam forma de "verdades". Não há leis. As leis são forjadas.  Ou você acha que existe alguma razão para o que acontece todos os dias com as mulheres? Não, não existe.  

- Apesar do apedrejamento ter novos formatos nos tempos atuais, intolerância, hipocrisia e, principalmente, falta de empatia, continuam fomentando ofensas no mundo real e virtual. De que forma o espetáculo aborda a agressividade nesses dois ambientes?
Permita-me discordar: só existe um ambiente, o mundo. Portanto a agressividade acontece onde a pessoa estiver. Na fila, no teclado, no banheiro, seus pensamentos são os mesmos. E quem bate não esquece não. Quem bate sabe muito bem o que está fazendo. Mesmo que esteja teleguiado. É disso que estamos falando: da violência aprendida no dia a dia. Seja onde for. 

- A partir do dia 24 você estará só, em cena, dando voz a uma mulher prestes a morrer. Num período de luta contra o machismo e a desigualdade de gênero, esse é o seu manifesto?
Meu manifesto é acordar todos os dias e fazer o que eu quero. As pessoas querem muito que você sofra, que você se anule, que você morra em vida e passe sua existência lutando apenas pela subsistência. Não aceito isso. Acho que todo mundo deve fazer o que quiser. Como dizia o cartunista Glauco: "Nada pode ser pior do que você não fazer o que veio fazer aqui."



quinta-feira, 16 de março de 2017

Fernanda D´Umbra
Christiane Tricerri
Fernando Bonassi
Jorge Jordão
Rafael Bresciani
Gal Oppido
Alexandre Brazil
Olivia Munhoz
Alonso Alvarez
e Helena

estreiam no dia 24 de março no SESC Ipiranga.


sexta-feira, 27 de janeiro de 2017

FÁBRICA DE ANIMAIS
02 MARÇO 2017 20h
CENTRO CULTURAL SÃO PAULO




foto  Luiz Filipe Ogro

domingo, 8 de janeiro de 2017

"Então a corrida terminou. Eles tinham corrido em um 26 para um, uma corrida rápida em Caliente. A maioria das pessoas não parecia muito feliz. Havia muitos mexicanos e negros na multidão, com a esperança de vencer, com a esperança de se libertar das correntes. Os brancos pareciam mais tristes, frouxos, com os olhos implacavelmente indignados. A maioria eram homens, Uma vantagem em relação aos homens brancos, no entanto, era que consistiam num ótimo material para o escritor. Você podia escrever o que quisesse sobre o homem branco americano e ninguém nunca protestava. Nem mesmo o próprio homem branco americano. Mas, se você escrevesse qualquer coisa desagradável sobre qualquer outra raça ou classe ou gênero, os críticos e o público ficavam furiosos e a sua caixa de correio para reclamações ficava lotada, embora as vendas do livro não sofressem nenhuma queda. Quando odiavam você, precisavam ler você. Eles ficavam ansiosos para saber qual a próxima coisa que você ia dizer sobre o mundo deles. Enquanto o homem branco americano não dava a mínima para o que você ia dizer sobre ele porque ele dominava o mundo - no momento, ao menos."
Charles Bukowski, em meados dos anos 70.

sábado, 12 de novembro de 2016

HOJE!

Às 22h faremos no Teatro dos Satyros a última apresentação da peça Pessoas Sublimes dentro da programação das Satyrianas. Que alegria foi fazer essa peça. Vamos comemorar essa noite, amigos.


foto de Edson Degaki

segunda-feira, 3 de outubro de 2016

49

pessoas se afastaram dela naquela estação de trem em Portugal > eram desconhecidos e rumavam para um mundo completamente estranho > ninguém mais tinha medo, todos estavam acabados, desnorteados e sabiam que o trem, aquela baleia de metal, passaria um bom tempo em alto mar.